Uma bela conquista de Rogério Silva em Campos do Jordão. A quadra e a altitude não eram aliadas do estilo do tenista, mas ele conseguiu se impôr na final sobre o sul-africano Izak Van der Merwe, um “cortador de físico” de primeira.
Rogério vem de uma família de tenistas. Seu pai, Eulício, foi pegador, jogador e técnico do Esporte Clube Pinheiros. Fomos contemporâneos e adversários nos tempos de juvenil. Vários de seus tios tiveram a mesma trajetória. Um deles, José, jogava muuuuito tênis, nos anos sessenta. Um tênis plástico, agressivo, contudente. Infelizmente nunca saiu do país e viu sua breve carreira minguar. Enfim, uma família de tenistas que fizeram do tênis o diferencial em suas vidas, provando, mais uma vez, que não basta ser Presidente para saber o que fala.
Rogério achou seu caminho um tanto tarde na carreira. Mas sempre foi, e continua sendo um lutador, assim como era seu pai. Interessante que Eulício tinha a esquerda melhor do que a direita, já o filho foge da esquerda que nem o diabo da cruz e tem uma direita que bate bem de todos os cantos da quadra.
Com os treinamentos com Marcos “Bocão” Barbosa, desde que Larri Passos o acolheu em sua academia, Rogério vem progredindo e avançando na carreira e no ranking, aponto de ter sido escolhido para jogar simples na Copa Davis e estar próximo de entrar entre os 100 melhores do mundo. Nunca é muito lembrar que durante décadas o tenista atingia seu auge, como um todo, aos 27 anos, atual idade de Rogério
Bia Maia é o maior talento do tênis feminino em muito tempo. A moça foi formada no Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo, onde treinou até o início do ano. Lembro que a primeira vez que a vi jogando, ainda com 11 ou 12 anos, fiquei impressionado como batia com facilidade e bem na bola. Parei para olhar. Como ela era mais uma que treinava no Clube, deixei a imaginação voar de como ela poderia progredir, sem, no entanto, imaginar que se tornaria realidade.
Bia é a melhor juvenil brasileira já há algum tempo. Em breve, muito breve, será a melhor tenista do país. Sua derrota na final de Campos, para Maria Fernanda Alves, foi um acidente de percurso. Bia ganhou o primeiro por 6/4, fez 5/2 no segundo e deixou escapar. É aquela velha história, a hora que viu que ia ganhar, pensou. E no tênis isso nunca tem bom fim. Sabe-se lá o que passou na cabeça da moça, mas é algo que, com certeza, em breve ela saberá administrar.
Bia tem um tênis bonito de se assistir, bate muito bem na bola, sabe acelerar e mexer a bola como poucas vezes vi uma tenista nessa idade fazer. Os pais acompanham sua carreira de perto, são participativos como os pais devem ser, especialmente nessa idade, e sabem distinguir o papel de um pai e uma mãe e o de um técnico. Enfim, a menina tem uma série de qualidades a seu favor que, se bem administradas, a cada encruzilhada da carreira, podem levá-la longe na vida de tenista.






