Ainda estou razoavelmente abalado com o terremoto financeiro mundial. Existe uma certeza inerente em todos nós que as coisas sempre vão funcionar – quando elas parecem sair da linha e derreter, uma insegurança se apodera do inconsciente coletivo. Pelo menos assim eu acho. No entanto, deve haver tanto pessoas que não acreditam que as coisas sempre irão funcionar e são eternas pessimistas, como as que não estão nem aí para com o assunto e são perenes alienadas.
Ontem se celebrou o 30º aniversário de Roger Federer. Tanto ele, como seus fãs e a mídia mundo afora. Publicaram muitas fotos e lista de seus feitos. Eu opto por publicar um resumo de sua recente entrevista on line para alguns jornalistas, com interessantes detalhes de seu momento atual, já que a sua história todos já conhecem ou leram em algum lugar. Para facilitar a leitura, dividi a entrevista. Hoje vai a primeira parte:
Cincinnati e seu formato – Federer diz que gosta do formato de reunir homens e mulheres na mesma semana, como o Torneio de Cincinnati será pela primeira vez. Essa é uma tendência do tênis mundial, já que reduz custos e agrega valor ao evento, assim como acontece nos Grand Slams. Sem perder a elegância, ele sugere que talvez as quadras de treino ficam um tanto lotadas. É interessante que ele descreve esses momentos de treino/aquecimento como momentos de paz e calma antes de uma partida e que ele curte muito.
Canadá; suas duas cidades e dois torneios – Sobre a decisão dos canadenses realizarem o torneio feminino e o masculino na mesma data e em cidades diferentes – Montreal e Toronto – ele acha uma pena a idéia. Fed diz que talvez eles devessem ser em épocas distintas. É bom lembrar que os canadenses têm a questão perene do Canadá francês e o inglês. Por conta disso, o evento masculino alterna entre as duas cidades desde a sua criação, para não favorecer “franceses” ou “ingleses”. As mulheres agora invertem.
Chaves menores – Sobre jogar os atuais Mastres 1000, com 56 tenistas, os cabeças saindo de bye, e só fera jogando, ele retruca que o formato anterior, de seis jogos em seis dias era ainda mais difícil. Sobre Cincinnati, ele diz que lá é difícil e o piso é quase muito rápido para ele! Imaginem para o Nadal, cujo melhor resultado são duas semis em sete tentativas.
Antecipação e velocidade – Atualmente se fala muito em velocidade e pouco em antecipação, um quesito importante no arsenal de um atleta, algo que se pode trabalhar, mas que geralmente é uma intuição que o tenista traz na alma. Perguntado sobre o assunto, ele, assim como eu, imediatamente se lembrou de Martina Hingis. Ele acha que hoje é uma arte pouco utilizada – na verdade sempre foi. Ele diz que atualmente ser atléticos e explosivos é o que os tops estão fazendo. Eles têm a capacidade de dar aquele passo a mais para chegar bem e bater na bola. Roger menciona que hoje os tenistas devem fazer mais coisas bem feitas para ter sucesso. O que é um fato; vivemos a era do tenista all around e muito bem preparado fisicamente, onde a antecipação é mais um diferencial. Federer diz estar feliz em jogar em tal era.
Ele menciona também para não se confundir aquilo que o tenista aprende de jogar algumas vezes com um adversário com antecipação. Uma questão de porcentagens, ele lembra. Na verdade, antecipação é um instinto, o que ele menciona é o tenista estar atento, e assim alimentar o seu HD com infos que aparecem durante os jogos, buscar as mesmas durante a partida e saber usá-las. Também é algo que, é bom lembrar, um bom técnico alimenta seu tenista antes das partidas.
Aniversário de 30 anos – Ele acha que não afeta em muita coisa. Sobre as celebrações, os canadenses sempre tentam surpreende-lo. Como ele não jogou ontem, 2ª feira, algo deve rolar hoje. Ele diz preferir ter 30 que 20 anos. Ele se diz contente em estar ficando mais velho, ver as prioridades mudarem, mulher e filhos, sem perder o foco no tênis.
Ele hoje ouve mais o seu corpo, e se diz mais experiente e mais sábio. Aceita as coisas como são. Diz que continua trabalhando duro, ser um profissional, estar se divertindo e feliz com a carreira.
Preparação para o U.S. Open Series – “Eu treinei as ultimas três semanas. O tempo na Suíça estava bom e pude treinar “outdoors”. Estou jogando e me mexendo bem. Mas para mim o que vale são os jogos. Treinos nunca foram o mais importantes para mim. Há 10 anos, na minha chegada ao circuito, foram importantes. Percebi que treinos são importantes para se tornar um tenista melhor. Mas, já a algum tempo, são os resultados, não os treinos, que me dizem se estou bem. Treinos me dão as informações de onde estou fisicamente. E fisicamente estou bem, sem dores nas costas. Só tive as dores musculares normais do início de treinamento intenso. Estou com tezão de jogar e acredito estar em total forma para o Canadá. Eu poderia ter usado um maior tempo de descanso? Sim. Mas 3 semanas de treino são mais do que suficiente.
Federer e sua mensagem de aniversário – de improviso.




