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Se valesse as palavras do Senhor, ninguém entre nós poderia criticar mais uma derrota da parceria Thomaz Bellucci e seu técnico Larri Passos. Mas como o local está repleto de pecadores…
O que posso escrever aqui sobre Bellucci que já não foi dito antes, tanto de positivo como negativo? O que eu ainda não entendo é essa postura de torcedor chato que o brasileiro insiste em adotar no esporte. Críticas construtivas e opiniões são o que o espaço de um blog oferece. Venenos e ofensas me falam muito mais sobre quem escreve do que sobre quem joga. Enfim…
Thomas tem arsenal para ser o jogador que promete ser, e às vezes é. Mas ainda não encontrou dentro de si o necessário para ser o grande jogador que fãs desejam, e que ele, mais do que todos, quer.
A tarefa de Larri Passos era, acima de tudo, trazer o know-how e a confiança necessária para o tenista brasileiro chegar ao Top 10, especialmente graças a resultados em Grand Slams. Dá para perceber certos detalhes técnicos – o Bellucci tentando “enroscar” um pouco mais o revés etc. Mas ainda não conseguimos ver, nem à distância, a necessária mudança de atitude em quadra. Hoje foi um pouco mais do de sempre.
Acredito que a aposta de ambos tem muito a ver com a temporada de quadras duras na America do Norte, que culmina com o U.S. Open, último GS da temporada, derradeira oportunidade da dupla fazer um “statement” nesta temporada. O que, a bem da verdade, ainda é possível.
Às vezes é um tanto enervante ver Thomaz tão apático nos momentos importantes da partida. Mas, para quem viu Borg jogar, não dá para dizer que essa frieza esteja longe de ser uma postura correta. Mas existe um universo em expansão no produto final dessas posturas similares. Borg era um “brigador” e um competidor ferrenho que odiava a derrota enquanto honrava o apelido de “Iceborg”. Thomas…
A surpresa, pelo menos para o grande público, ficou com a demonstração pública de irritação do técnico Larri Passos, que hoje não fez nenhuma questão de esconder seus sentimentos. Desde em momentos positivos, quando Thomaz conseguiu a primeira quebra, com Passos parecendo dizer que “é só não inventar” e “ufa, uma quebra”, até no momento em que Thomaz, com 4×1 acima no TB, comete um erro não forçado, em um momento em que não havia razão para correr risco, com Passos indo à loucura. Dali para frente o tenista “murchou”, assimilando negativamente a reação do técnico. A atitude mostra que as coisas não andam tão bem entre os dois, o que não seria uma total surpresa, dado o temperamento opostos de ambos.
Eu também tive meus destemperos nas arquibancadas como técnico, especialmente no começo da carreira, algo que aprendi a controlar com o passar do tempo; então não posso ficar atirando pedras. Como a maioria, compreendo melhor o que passa na cabeça de Passos do que na de Bellucci . Ao técnico resta reagir com destemperança ou frieza, algo que pode mudar por conta de inúmeros fatores, frente às frustrações, mas pouco pode fazer para mudar o curso da partida. Mas o tenista está lá dentro e pode, de fato, fazer a diferença. Só ficar bravo, querer quebrar a raquete, se contendo no último instante, e “largar” o jogo, por conta da frustração, é o pior cenário.
Thomas poderia, nessas horas de frustração – que são compreensíveis, porque o circuito é muito mais difícil e massacrante do que um sofasista pode sequer imaginar – aprender a ficar realmente bravo e querer, acima de tudo, derrotar o adversário e vencer a partida. Aí talvez, ao transformar um sentimento negativo em algo que pode vir a ser positivo, consiga dar o pulo do gato que tanto almeja.
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