Guia: Paulo Cleto Ambuíguo
 
 

Ambuíguo

Imagino que uma pauta condizente neste momento seria o Bipolar Murray. No entanto, acredito que a somatória dos meus escritos fala o que há a se falar sobre o rapaz. Mas, considerando o gritante resultado de ontem, quando foi eliminado na 1ª rodada de um torneio onde venceu as duas ultimas edições, em seu piso [...]

Imagino que uma pauta condizente neste momento seria o Bipolar Murray. No entanto, acredito que a somatória dos meus escritos fala o que há a se falar sobre o rapaz. Mas, considerando o gritante resultado de ontem, quando foi eliminado na 1ª rodada de um torneio onde venceu as duas ultimas edições, em seu piso favorito, alguma coisa há que se colocar. Compreendam, são dias de ambiguidade que vivemos e considerem o protagonista!

Primeiro a “desculpa”, algo que pessoalmente odeio, em qualquer área da vida. Porém, um cronista deve apresentar pontos de vista que talvez passem despercebidos a outros. Enfrentar um tenista como Kevin Anderson – o protótipo do “corta-físico” – na 1ª rodada de um torneio onde você deve defender o título e seus pontos, após um hiato de torneios e a conseqüente ausência de ritmo, após dois Grand Slams seguidos, onde não se fez nada do que se esperava, traz um pressão a mais em uma rodada onde os favoritos odeiam enfrentar um tenista com as características de Anderson.

Com isso colocado, apresento o outro lado. Um ponto de vista que me fica cada dia mais claro é o de que enquanto Murray não fizer certos ajustes emocionais, sua carreira não atingirá os limites que seus talentos e habilidades possibilitam.

Não basta o tenista possuir um arsenal da qualidade que o escocês possui e não ter a mentalidade para lidar com as agruras, pressões, variáveis e adversários que o circuito apresenta. É só dar uma olhadinha na entrevista ontem publicada com Federer para vermos diferenças gritantes de personalidade. Federer não seria o campeão que é se tivesse o perfil psicológico de Murray. Provavelmente estaria quebrando raquetes e se desesperando no circuito Challenger ou dando aulinhas na Basiléia. Cansei de ver grandes talentos desperdiçados por mentes menores.

É óbvio que Murray possui características de um grande jogador além de suas cantadas habilidades. É um dos melhores estrategistas no circuito atual, um ser pensante em quadra, ao contrário da maioria, além de um ótimo competidor, quando não escorrega para seus domínios mais escuros.

O fato de ainda estar sem um bom técnico ao seu lado e deixar a figura dominante de sua mãe exercer um papel forte na sua carreira, são tanto sinais como razões para o seu ainda não amadurecimento. O rapaz já foi #2 do mundo, é o atual #4, tem tênis para ser #1, mas ainda não conseguiu brilhar na hora da onça beber água e isso, a cada GS que passa, faz um estrago ainda maior na sua psique. Pelas habilidades e talento, sofrimento e ambiguidade deveria ser um dos tenistas com mais fãs no circuito. Mas nem isso ele consegue cacifar.

Andy Murray – um bipolar talentoso.

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